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ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS NEOPLASIAS DIAGNOSTICADAS POR EXAME HISTOPATOLÓGICO ENTRE 2014 E 2024
Resumo simples apresentado na XII Reunião Anual de Iniciação Científica da UFRRJ (RAIC 2025) & VI Reunião Anual de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (RAIDTec 2025)
Luana Spinozzi Di Lelli¹*, Carla Beatriz Ventura Leite¹, Waldemir Silva de Aguiar², Fúlvio Martins Ambrósio², Andresa Guimarães¹ ¹Departamento de Medicina e Cirurgia Veterinária – Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) ²Alpha Labs – Rio de Janeiro, RJ
Com o aumento na prevalência de neoplasias em animais de companhia no decorrer dos anos, a análise de dados histopatológicos retrospectivos é essencial para traçar um panorama das doenças e seus padrões de ocorrência em uma determinada região. Com base neste conhecimento, os médicos veterinários podem aprimorar suas práticas, desde a formulação de diagnósticos diferenciais mais precisos até o planejamento de intervenções clínicas e cirúrgicas mais estratégicas. Este projeto de pesquisa tem como objetivo principal a análise do perfil epidemiológico das neoplasias diagnosticadas por exame histopatológico entre 2014 e 2024. Foi realizado um estudo retrospectivo utilizando o banco de dados de laudos de exames histopatológicos realizados pelo laboratório de análises clínicas Alpha Labs, Rio de Janeiro/RJ.
Por se tratar de laudos retrospectivos, o estudo foi isento de submissão à CEUA. Os dados foram tabulados em planilha Excel contendo como variáveis os dados epidemiológicos dos pacientes (espécie, idade e sexo), localização da amostra e categorias quanto à classificação do resultado (neoplasia benigna, neoplasia maligna, processo inflamatório, presença de agente infeccioso, demais alterações e material sem alteração ou inconclusivo), seguido por uma classificação mais ampla (neoplasia ou não). Os dados sensíveis foram excluídos da análise, mantendo a anonimização. Cada amostra foi avaliada individualmente de acordo com a sua origem (localização anatômica), por isso, alguns animais apresentavam mais de uma amostra.
Foi realizada análise observacional de frequência. Para associação entre variáveis categóricas (espécie, sexo e diagnóstico), foi utilizado o Qui-quadrado ou Fisher. Todas as análises foram realizadas utilizando o programa BioEstat 5.3. Entre 2014 e 2024, foram examinadas 7798 amostras, sendo 89,56% provenientes de cães (n=6894), 9,69% de gatos (n=756), 0,26% de aves (n=20) e 0,49% de outros animais ou não informado (n=38). Quanto à classificação do resultado, 37,88% das amostras eram neoplasias malignas (n=3139), 19,45% neoplasias benignas (n=1612), 13,63% inflamação (n=1130), 3,08% agente infeccioso (n=255), 1,99% sem alteração ou inconclusivo e 21,11% demais alterações (n=1749), que incluem, por exemplo, degenerações e formações císticas. A localização anatômica variou muito entre os materiais analisados, não sendo possível realizar uma categorização neste estudo, mas vale ressaltar que as amostras cutâneas (n=2077) foram as mais frequentes.
Para os cães, maioria dos animais (n=6894 exames), foi realizada a análise categórica sexo (macho e fêmea x presença ou não de neoplasia) e idade (filhote, adulto ou idoso x presença ou não de neoplasia). Animais com dados não informados foram excluídos das análises. As fêmeas foram significativamente mais acometidas por neoplasias do que os machos (P<0,005). Quanto à idade, filhotes tiveram mais alterações não neoplásicas (51/71), já em adultos a proporção de neoplasias (1276/2443) e achados não neoplásicos (1167/2443) foi similar, e em idosos as neoplasias foram mais frequentes (2984/4459), todas essas categorias diferiram entre si a 5% de significância.
A alta prevalência de neoplasias malignas em fêmeas e idosos corrobora dados da literatura, reforçando a idade e o sexo como fatores de risco. A predominância de amostras cutâneas reflete tanto a alta incidência de tumores de pele quanto a facilidade de detecção e biópsia. Embora os dados de um único laboratório sejam uma limitação, este estudo oferece um panorama regional com informações que podem contribuir para o desenvolvimento de protocolos de prevenção e tratamento mais eficazes.
Conclui-se que o perfil mais frequente nos exames histopatológicos foi de neoplasias malignas, acometendo principalmente cães idosos, com as fêmeas sendo mais afetadas, e o tecido cutâneo foi o mais amostrado. Estes achados reforçam a importância da vigilância constante e do diagnóstico precoce, especialmente nos grupos de maior risco, para um melhor prognóstico e manejo clínico dos pacientes.
Palavras-chave: diagnóstico laboratorial; histopatologia; diagnóstico oncológico; cães.